Sobre

/ Home » Sobre

 

Integrado na muralha medieval que envolve a Vila de Serpa, o Palácio Ficalho é uma casa senhorial do século XVII cujo nome advém dos seus proprietários,  os Condes e Marqueses de Ficalho, conhecidos como os “Mello de Serpa”.

A presença desta família em Serpa remonta ao século XV, quando João de Mello (m.1486), futuro copeiro-mor de D. Afonso V, é nomeado Fronteiro em 1442 e mais tarde, em 1449, Alcaide-Mor de Serpa e Senhor da Quinta de Ficalho. Por esta altura existia já uma edificação primitiva nas muralhas onde residiram João de Mello e os seus descentes, razão pela qual o palácio é também conhecido como Casa do Castelo.

Porém, é apenas na segunda metade do século XVII que o atual palácio é edificado, por vontade dos irmãos Pedro e D. Martim Afonso de Mello (m.1684), Bispo da Guarda. O projeto arquitetónico é atribuído a Mateus do Couto, o Sobrinho (m.1696) — sucessor de seu tio do mesmo nome nos cargos de Arquiteto das Ordens Militares e Engenheiro Régio —, que desenhara a Igreja do Salvador e os retábulos da Igreja de Santa Maria de Serpa, panteão dos Mello.

Olhando para a monumental fachada do Palácio Ficalho, que se afirma na paisagem da Vila, ressalta, para além do caiado alentejano, o estilo chão português na sua austeridade e despojamento decorativo. Também no interior se sente o espírito tardo-seiscentista, pela sua arquitetura interna, a azulejaria de padrão azul e branco, e a galeria de retratos da emblemática Sala dos Espanhóis.

Após a construção do Palácio, foram várias as figuras que marcaram a sua história desta família de desta casa, como a 1.ª Condessa de Ficalho, D. Isabel Josefa de Menezes Breyner (1719-1795), Francisco José de Melo Breyner (1781-1812), combatente na Guerra Peninsular, e sua viúva, D. Eugénia Maurícia Tomásia de Almeida Portugal (1784-1859), 1.ª Marquesa e 1.ª Duquesa de Ficalho, que fora encarcerada no Convento de Carnide pela sua defesa da causa liberal. Já dos finais do século XIX, destaca-se o 4.º Conde de Ficalho, Francisco Manuel de Melo Breyner (1837-1903): botânico e literato, foi membro dos Vencidos da Vida, tendo publicado contos e obras de temática histórica e botânica, como Flora dos Lusíadas (1880), Memória da Malagueta (1883), Uma Eleição Perdida (1888) e Viagens de Pêro da Covilhã (1898).

No século XX, por iniciativa de António Martim de Melo (1916-1990), 4.º Marquês de Ficalho, e Maria das Dores de Eça de Queirós (1918-2004), o Palácio e o seu jardim foram alvo de obras de recuperação e restauro que lhe valeram, em 1984, o prémio do Institut International des Châteaux Historiques. O Palácio Ficalho está classificado como Monumento Nacional desde 2007.

Os atuais proprietários abrem ao público este património de singular valor, a partir de dia 18 de Maio de 2021, Dia Internacional dos Museus.