Monumento Nacional e Património Mundial (UNESCO), símbolo identitário da cidade de Lisboa e de Portugal no mundo, associa-se histórica e artisticamente ao Mosteiro dos Jerónimos e aos Descobrimentos Portugueses. Edificada, entre 1514 e 1519, sobre um afloramento basáltico, a alguma distância da margem norte do rio, conjuga dois modelos arquitetónicos distintos: a torre alta, ao modo de torre de menagem, de feição medieval; e o baluarte, um dispositivo militar moderno. Este corpo sextavado – com posicionamento numa cota baixa e avançado no rio, dotado de canhoneiras – permitia o disparo em tiro rasante. A Torre de Belém é, pois, um valioso testemunho de que, na época, a velha guerra neurobalística, de arremesso, proporcionada pela torre alta e recuada, dava lugar à guerra pirobalística da artilharia pesada e tiro rasante, garantida pelo baluarte.
Além da estrutura do edifício, é a sobrecarga ornamental, a decoração festiva na modalidade portuguesa de tardo-gótico “manuelino”, que denuncia a sua construção no reinado de D. Manuel I (1495-1521).
A heráldica régia mistura-se com motivos ornamentais diversos como, por exemplo, cordas, nós e animais, não faltando elementos de alusão mourisca. Salienta-se a presença, na fachada sul da torre alta, da extensa varanda, uma loggia, pensada para acolher o aparatoso cerimonial de corte que, decerto, se intensificaria na chegada e na largada das embarcações.
A construção de uma fortaleza na margem norte do Tejo, para defender a barra, estava prevista desde o tempo de D. João II. No entanto, foi no reinado de D. Manuel I que Francisco de Arruda, um arquiteto experiente em estruturas defensivas, projetou e dirigiu as obras de execução da Torre dedicada a São Vicente, desde cedo designada por Torre de Belém.
No mesmo período e no mesmo território, frente à Praia do Restelo, edificava-se o Mosteiro dos Jerónimos – a grande casa monástica fundada por D. Manuel I, entregue à Ordem de São Jerónimo, cujas obras tiveram inicio em 1501/1502.
São muitas as fontes escritas e visuais que testemunham a relação entre estes dois grandes empreendimentos. A título de exemplo, na Chrónica do Felicíssimo Rei Dom Emanuel, 1566-1567, escreve Damião de Góis:
“Defronte deste edifício mandou el Rei fazer a torre de S. Vicente, que se chama de Belém fundada dentro na água, para guarda deste Mosteiro, e do porto de Lisboa, edifício que ainda que em si não seja grande em quantidade, contudo a estrutura dele é magnífica. A qual torre se vela de noite, e de dia, de modo que nenhuma vela pode passar sem ser vista, e obedece as salvas que lhe dela fazem com a artilharia.”
Torre de Belém
- Av. Brasília,
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