A actual Praça do Comércio em Lisboa é uma obra arquitetónica e urbanística do século XVIII, realizada no contexto da reconstrução da cidade depois do terramoto de 1755 e projetada à luz dos modelos culturais e artísticos do Iluminismo. Está implantada no sítio do antigo Terreiro do Paço (D. Manuel I). Pela sua monumentalidade, escala e coerência, é um dos exemplos de referência no panorama da cultura arquitetónica da época. Aqui se conjugam as artes da arquitetura, do urbanismo e da escultura, numa perfeita harmonia, contribuindo para a formação de um cenário de beleza e funcionalidade.
A origem de um espaço aberto, com a fisionomia de largo, remonta ao início século XVI, quando o rei D. Manuel I tomou a decisão de mudar a residência permanente nos Paços do Castelo por um novo Palácio Real, junto ao rio, estrategicamente ligado à economia ultramarina. O Terreiro do Paço adquiriu uma imagem de espaço de representação do poder e de ligação entre a capital, o país e o mundo.
No âmbito do processo de reconstrução de Lisboa, liderado pelo engenheiro militar Manuel da Maia, o plano aprovado para a Baixa, em 1756, pós-terramoto, da autoria de Eugénio dos Santos, Carlos Mardel e Elias Sebastião Pop, renovou esta parte da cidade com base numa malha regular de traçado ortogonal, delimitada por duas grandes praças sobrepostas aos anteriores largos do Rossio e do antigo Terreiro do Paço, respetivamente a norte e a sul. A primeira estabelece a ligação com o interior e a segunda abre-se para o exterior, através da relação com o rio. Em 1759, por determinação do próprio Marquês de Pombal, na sua qualidade de ministro responsável pela aprovação dos planos e das obras, esta última passa a designar-se Praça do Comércio, em homenagem à burguesia mercantil e à própria Junta do Comércio, organismo que suportou financeiramente os custos da reconstrução.
A nova Praça do Comércio tem forma quadrangular e é delimitada em três lados por fachadas uniformes e aberta na frente sobre a água. O desenho dos edifícios e respetivas fachadas foi concebido pelo arquiteto Carlos Mardel, com base em princípios de uniformidade e racionalidade.
Destacam-se o arco central da fachada norte da Praça que se ergue sobre o enfiamento da Rua Augusta e a estátua equestre do rei D. José I, em bronze, a marcar a monumentalidade do espaço e a ordenar todo conjunto construído. O monumento, da autoria do escultor Machado de Castro, foi inaugurado em 1775, num cerimonial que também assinalou a conclusão de uma parte significativa dos edifícios da Baixa.
O arco só foi concluído em 1873, com projeto arquitetónico de Veríssimo José da Costa e decoração escultórica com figuras alegóricas e históricas de Calmels e Victor Bastos. Pela sua forma e composição, inspira-se nos modelos do Ecletismo, em particular nos grandes arcos de triunfo da cidade de Paris.
Os edifícios que envolvem a praça foram, durante décadas, utilizados por diferentes ministérios e outras instituições públicas. Hoje a sua utilização está dividida entre departamentos governamentais, atividades culturais e promocionais, hotéis, restaurantes e cafés.
É num dos edifícios da praça que se encontra o famoso café Martinho da Arcada, o mais antigo de Lisboa, e um dos preferidos de Fernando Pessoa.
Praça do Comércio / Terreiro do Paço
- 1100-148 Lisboa





